À
Mário Eurico da Motta
"Mestre Dell"
Dos vários sonhos, teus sonhos
Entusiastas e enigmáticos
Luzes acessas para um caminhar de
Luz, de pleno êxtase!
Nós cansamos de sonhar ou de amar?
A resposta está na imersão de tuas viagens, longas viagens...
Viveste com destemida força e haveria, sim, de um dia ter que partir...
Uma partida sem volta, sem revolta...
Deixando-nos envoltos em uma saudade surreal, não teremos mais de vê-lo estacionar seu caminhão sedento por um descanso e, você, sedento de sede de amar, abraçar tua esposa Lucília, teus filhos, meigos filhos...
Sonhar? Sempre sonhar!
Sentir teu afago e saber a sutileza do valor do teu abraçar...
Tua chegada era sempre uma festa, uma alegria serena e incontestável.
Nada era capaz de anular, aniquilar tua doce alegria.
Tua nobre e mansa voz cativava e encantava, daí a magnitude em saber doar amor e carisma e com os filhos aflitos por acolhimento e singelo carinho, se entregava em corpo e alma cercado de amor, puro amor de Jaqueline, Patrícia, Elizabeth, Rangel, Marla, Leco, Priscilla, Say, Lú, Rodrigo e Lucília... Denso amar!
... Ande em plena luz em uma noite de luar envolvente, acolhido sempre foste por uma Barro Preto em plenitude singular... Tua volta para casa, depois de um mês em longa viagem, era comemorada por toda gente decente!
Será que alguém cansa de amar?
As viagens eram constantes, necessárias... Sustento da família!
Teu sorriso aberto, leve, eterno era a marca registrada de tua pureza, tua sábia identidade em saber respeitar, cuidar, amar...
Sempre houve ruas, avenidas, rodovias empoeiradas, brancas, desniveladas, escuras e com curvas invariavelmente perigosas e sempre voltava de tuas longas viagens.
Hoje, nessa tua última partida, você nos deixa uma mensagem segura e notável: viajar com seu amado caminhão era seguro... Você sempre retornava, abraçava e se alegrava... Era abraçado por tua esposa, filhos e amigos... Contudo, terias que partir definitivamente e, sem o amável caminhão, velho caminhão!
Foste nos braços do senhor, do povo...
Uma caminhada leve, sublime... Sem poeiras, sem curvas ou obstáculos... Uma partida definitiva com resíduos de dores infinitas, íntimas... Não haverá mais abraços, afagos... Farão falta, sim!
O que nos fortalece é que tua saudade, teus sorrisos, tuas doçuras... Continuarão a navegar nos corações de teus filhos, Lucília e amigos!
Poderás chamar, gritar... Sabemos que ninguém o ouvirá, responderá... Irá caminhar pela cidade e seguirá viajando... Não serás interrompido, notado! Agora, sem problemas, o que importa e acreditamos é que serás sempre admirado, respeitado e amado bom "Mestre Dell", tenha convicção!
...Nesta noite, em orações, beijamos tuas essências, tuas doçuras...
Teu caminhão fez história... Ajudou a criar, educar teus filhos... Guerreiros e honestos filhos... Íntegros, saudáveis e admiráveis frutos de tuas viagens... Todos têm orgulho de vocês e estás guardado para sempre no cantinho de cada coração, creia!
De despedida, me apego ao teu afago, aos abraços e ao amor dos teus filhos, à tua sábia fórmula de viver e tu nos enviarás um nobre sorriso, de onde estiveres, sim, um último sorriso!
Ah! Mágico caminhoneiro... Grande sábio, iluminado, incansável, impecável viajante,
Até um dia!
Gratidão pelos ensinamentos.
Também, por todos os seus feitos, suas proezas, me fizeste te amar!
De coração, Nunes de Sousa.
12 de agosto de 2024.

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